Educação Infantil, lugar de aprendizagem
Reportagem e infográfico publicados em www.novaescola.org.br, sobre a organização dos espaços da creche e da pré-escola – Março de 2010.
Texto: Paula Nadal
Infografia: Renata Aguiar e Dalton Soares
Edição de Arte: Vilmar Oliveira
Educação Infantil, lugar de aprendizagem
Como organizar os espaços da creche e da pré-escola e integrá-los à rotina pedagógica
Paula Nadal (paula.nadal@abril.com.br)

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Para os pequenos, quase tudo na vida é brincadeira. Por isso, na Educação Infantil, não faz sentido separar momentos de brincar dos de aprender. Essa simultaneidade pede que espaços e rotina da escola sejam planejados de modo a proporcionar multiplicidade de experiências e contato com todas as linguagens, o tempo todo. Sem abrir mão, é claro, dos cuidados com segurança e saúde.
É nesse ambiente de aprendizagem que as crianças vão socializar-se e ganhar autonomia. “Dentro do espaço da Educação Infantil é necessária a integração entre o educador, o planejamento pedagógico e a organização dos lugares, que funcionam como mais um elemento educativo, como se fossem um professor a mais”, explica Elza Corsi, formadora do Instituto Avisa lá, de São Paulo.
Com essa concepção, que vai muito além da visão assistencialista, órgãos como Ministério da Saúde e Ministério da Educação prepararam documentos para orientar a organização dos espaços nesse segmento. Nas próximas páginas, você conhece essas indicações e entende como elas se relacionam com a rotina pedagógica na Educação Infantil.
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Sobre jornalistas e tecnologia
Entre uma garfada e outra pensava o quanto sou uma ‘dinossaura’. Na minha época criança brincava na rua e eu passava tardes a fio montando uma casinha de bonecas sobre uma esteira de praia. A coberta da boneca era um echarpe dourado da minha mãe e o berço, um cestinho antigo de pão. Nasci em uma família abastada e tive o alento de ter todos – ou praticamente todos os brinquedos que queria. Tive livros também. Muitos. Os compromissos da escola me faziam ficar horas procurando assuntos em meio a eles. Brincava de escolinha e aprendi a ler antes dos quatro anos. Tinha um diário verde. O computador chegou quand0 eu tinha uns 8 anos. Aquela telona de ‘fósforo verde’. Um 386, um 486 e o milagre do Pentium! Sou, realmente, uma dinossaura.
O celular era vermelho e só pude ver sua cor quando já estava ‘debutando’. Grande, com uma antena exagerada e sinal que vinha junto com a sorte. Eu sou do tempo em que celular era um telefone móvel.
E agora o computador está na palma das mãos e os celulares servem para tudo, inclusive para telefonar.
Os jornalistas estão pedindo socorro! Somos todos reféns das ferramentas, mas não paramos para pensar sobre elas. Qual o sentido de um site? De um aplicativo para o IPhone? Qual o sentido de twittar? De postar fotos no Flickr ou criar um perfil no Facebook? Temos que criar sites, mas para quê? Para quem? Por quê? Como? Vivemos nas tecnologias e esquecemos do lead. Aprendemos a técnca jornalística, estudamos teoria pesada na graduação e ainda somos dinossauros. A academia nos coloca um abismo entre teoria e práxis. Fomos engolidos pela tecnologia sem saber refletir sobre ela.
Dia desses ouvi um jornalista dizer que “Internet tem que ter texto curto. O conteúdo não pode ser cansativo”. E o hipertexto? Princípio fundamental da linguagem de internet! Texto não tem que ser curto. Tem que ser editado! É uma nova organização de conteúdos, e não o reinado do reducionismo. Homens constroem conhecimentos, ampliam horizontes… Não é assim que deve ser? Com um computador – aliás, desenvolvido por homens – a premissa também é válida.
Corre, também, o ‘mito’ de que as revistas e jornais vão acabar em detrimento das redes. Cada meio tem sua função. Revista não tem que querer imitar internet e vice-versa. Onde estão as grandes reportagens? Não há mais espaços para elas nas revistas?
As redes são hiperferramentas. Genial! Mas as coisas sempre andaram sem elas. Com o computador o mundo decolou, é claro, mas, em contrapartida, a burocracia continua a mesma para mostrar que ainda somos humanos, demasiado humanos.
Princípio número um do fazer jornalístico: desconfie quando os fatos estão com muita facilidade na palma das mãos. As redes agregam complementos (utilíssimos) a conhecimentos que devem ser adquiridos fora delas. É preciso investigar, fuçar, falar, pesquisar. A informação na internet está com todos e não está com ninguém. Há coisas sensacionais e outras pouco críveis navegando por aí. Sem conhecimento prévio não há ‘seleção natural’.
Para jornalistas, as tecnologias não são o fim em si! É preciso pensar o que fazer com cada uma das ferramentas disponíveis. Canoa de concreto vai para o fundo do rio (bem piegas, mas ‘bem verdade’). Para quem nasceu de dentro de um computador, cuidado com os valores primeiros. Cuidado com os textos, com imagens, com o que se diz. Aliem teoria e prática. Não esqueçam dos itens simples que sempre fizeram com que o bom jornalismo acontecesse. Para os dinossauros (carinhosamente) que comandam o trabalho dos jovens, não se desesperem. As tecnologias estão aí e devem ser usadas. Com parcimônia. Cada coisa em seu lugar e a seu tempo.
*Ainda se pode aprender montando casinhas sobre esteiras. Pode ser um bom processo criativo e ‘artesanal’ de ‘arquitetura da informação’.
**Ainda aprendo muito com as tecnologias. As casinhas já apareceram nas redes há algum tempo, mas tenho arranha-ceús a construir. Basta escolher a melhor ferramenta, com e sem computadores. Só não posso deixar minha era geológica ir embora e me resignar ao posto de fóssil, sem opções ou ‘ajuda dos universitários’.
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