Impressões Seresteiras

ENTREVISTA: Violeta de Gainza

Publicado em Nova Escola por paulanadal em maio 23, 2011

Veja aqui a entrevista da educadora musical Violeta Hemsy de Gainza para NOVA ESCOLA (Ed. 241, abril 2010).

A argentina fala sobre o ensino de música nas escolas brasileiras e defende a formação de professores que entendam de música e de Educação.

Sobre velhas e Itzhak Perlman

Publicado em Artes, Textos por paulanadal em novembro 23, 2010

Vovó dizia que, a partir de certa idade, a cada ano vivido, regride-se um mentalmente. A velha no intervalo do concerto dizia o mesmo. Com a perda amarga do marido ela só queria ficar imersa nas cobertas. “É a volta ao útero materno”, dizia entre as plumas e paetês que enfeitavam a noite. Outra velha, logo atrás, aproveitava a música para acabar com a insônia. O ronco inconveniente chegava a acompanhar os compassos da Sonata de Mozart. Minha esperança era a de que ela sorvesse um café preto e amargo como a morte na pausa entre duas obras, na tentativa de provocar o efeito ‘palitinho’ nos olhos. Mas velhos costumam ser incapazes de se solidarizar com a vitalidade alheia. O propósito da elegante e distinta era, justamente, o de dormir durante o concerto e atrapalhar, sem pudores a audição da plateia.

O velho que estava no palco era de outro tipo – o sábio. Igualmente sem pudores, ele sabia aproveitar as melhores qualidades de uma criança. Mudou as regras do jogo, dançou conforme a música, fez suas escolhas, sorriu e demonstrou uma habilidade inacreditável com a direita e a canhota. O velho em êxtase como uma criança. O velho brincava como uma criança. O velho bagunçava a pilha de partituras como uma criança e sorria. O violino era seu melhor brinquedo. O velho não quer voltar ao útero materno (ao menos por enquanto). A genialidade da vida está em saber rir a respeito de si, a respeito de ‘se’. Esse é o verdadeiro espetáculo do maior entre os virtuoses.

‘Deus foi bom ao tirar o movimento dos pés de quem só precisa das mãos’, diria a velha se estivesse acordada.

Cantigas de roda

Publicado em Nova Escola por paulanadal em agosto 31, 2010

Coletânea com cinco cantigas de roda para o site de Nova Escola, todas extraídas do álbum “O pião entrou na roda” (Musicalização Infantil – Universidade Federal do Paraná).

Um “videokê” divertidíssimo graças a ajuda do amigo Tiago Madalozzo e sua trupe…

http://revistaescola.abril.com.br/educacao-infantil/4-a-6-anos/cantigas-roda-pre-escola-590941.shtml

Música na Escola

Publicado em Nova Escola por paulanadal em abril 29, 2010

Últimos dias para postar comentários no fórum sobre o ensino de Música na Educação Básica, mediado pela professora Teca Alencar de Brito, especialista em Música na Educação Infantil e criadora da Teca Oficina de Música.

O link vai aqui: http://revistaescola.abril.com.br/politicas-publicas/legislacao/musica-sera-conteudo-obrigatorio-educacao-basica-541248.shtml

O Folclore sou eu

Publicado em BRAVO! por paulanadal em novembro 13, 2009

Texto publicado na revista BRAVO! – Novembro de 2009 (com ilustrações fantásticas de Marcos Garuti)

 

Por Marcos Garuti

Ilustração de Marcos Garuti para BRAVO!

 

 

Heitor Villa-Lobos – O Folclore sou eu

Perseguições policiais, comportamento de dom-juan, viagens à floresta amazônica para recolher sons indígenas. Conheça as lendas – e os fatos – que marcam a trajetória de Heitor Villa-Lobos, o maior compositor erudito do Brasil

Por Paula Nadal

O compositor carioca Heitor Villa-Lobos morreu no dia 17 de novembro, há exatos 50 anos, como reiteram as diversas homenagens que se espalham pelo país. Mas quando nasceu? Por um bom tempo, a informação manteve-se envolta em mistério. Biografias de diferentes épocas apontam datas que oscilam entre 1881 e 1891. O enigma deve-se especialmente à peculiaridade de que o músico, considerado o maior autor erudito do Brasil, nunca se importou com a precisão cronológica. Sua carteira de identidade francesa, por exemplo, citava 1891 como o ano em que veio ao mundo. Já seu título de eleitor indicava 1883, e entrevistas concedidas pelo próprio regente mencionavam 1888. Foi o biógrafo Vasco Mariz quem matou a charada. Encontrou o registro fidedigno do nascimento na igreja de São José, onde ocorreu o batismo do artista. O documento exibe a data de 5 de março de 1887.

Em contrapartida, outros aspectos da trajetória de Villa-Lobos continuam incertos. Com graça e entusiasmo, o músico gostava de espalhar lendas sobre si mesmo, descrevendo façanhas que costumavam alçá-lo à condição de super-homem. Agia assim não só para atrair as atenções, mas para reiterar a imagem de gênio revolucionário que o acompanhava. A estratégia surtia efeito porque tinha como lastro um talento e uma produtividade realmente excepcionais. O maestro assinou mais de mil composições ao longo dos 72 anos de vida. Do extenso legado, sobressaem dez óperas, 12 sinfonias, 20 peças para violão e cerca de 200 para piano, um musical da Broadway (Magdalena), os 14 Choros e as nove Bachianas, em que buscou criar uma versão nacional dos Concertos de Brandemburgo, escritos por Johann Sebastian Bach. O regente concebeu ainda suítes, bailados, cantatas, sinfonietas e trilhas cinematográficas. Também incorporou à estrutura da orquestra sinfônica instrumentos percussivos como o reco-reco e o berimbau, ousadia que apenas engrossa uma extensa lista de inovações.

Entre as muitas facetas nebulosas de Villa-Lobos, cultivadas ou não por ele, BRAVO! investigou sete, na esperança de distinguir as fronteiras que separam as lendas dos fatos. Confira o resultado:

1- A LENDA
O artista fugiu de casa com 16 anos, viajou pelo país e recolheu temas folclóricos de cada uma das regiões brasileiras.

Os fatos
De clarinete e violão em punho, o músico saiu mesmo de casa aos 16 anos. Contrariou a vontade da mãe, que desejava ver o filho estudando medicina. Depois de vender uns livros da biblioteca deixada pelo pai e, assim, amealhar algum dinheiro, Villa pediu abrigo à madrinha. Passou, então, a frequentar mais intensamente as rodas boêmias dos chorões cariocas. Sabe-se que permaneceu pelo menos dois anos com o grupo Cavaquinho de Ouro, comandado por Quincas Laranjeira, e chegou a participar de uma homenagem ao aviador Santos Dumont em 1903. À época, já escrevia polcas e valsinhas, que apresentava nos bares, cinemas e cabarés da cidade para engordar o orçamento.

“Sobre as viagens pelo Brasil”, diz o jornalista Toninho Vaz, que pesquisa a vida do maestro com vistas a uma biografia, “não é possível garantir quantas ele realmente fez naquele período.” Há fortes indícios de que se afastou do Rio de Janeiro em 1905 e circulou por Pernambuco, Bahia e Espírito Santo, sustentando-se à custa de pequenos concertos e exibições esporádicas com grupos locais. Segundo Vasco Mariz, durante a jornada, o compositor teria anotado temas musicais que considerava interessantes em um código semelhante à taquigrafia. Essas anotações, ao que parece, inspiraram o Guia Prático, uma vasta antologia de canções populares infantis elaborada entre 1932 e 1936.

Outros relatos alimentam a tese de que, também no começo do século 20, Villa-Lobos visitou o Mato Grosso e Goiás. Não existe, porém, comprovação dessas viagens.

2- A LENDA
O regente formou-se no Instituto Nacional de Música do Rio de Janeiro. Fez, ainda, cursos de harmonia com os professores Frederico Nascimento e Agnelo França.

Os fatos
Na verdade, o autor pouco estudou em termos formais. Não completou o ensino médio nem se diplomou pelo Instituto Nacional de Música (hoje Escola de Música da UFRJ, a Universidade Federal do Rio de Janeiro). É certo que, em 1904, passou por aquela instituição, mas muito rapidamente, para participar de um curso noturno de violoncelo e solfejo. Pesquisadores não descartam, entretanto, a possibilidade de que tenha assistido a aulas esporádicas em outros lugares.

Foi o pai do maestro, Raul Villa-Lobos, um funcionário da Biblioteca Nacional, quem lhe deu as primeiras lições de violoncelo. Ele também o apresentou à noite fervilhante do Rio de Janeiro e às rodas de choro. Depois da morte precoce do pai, em 1899, o jovem músico seguiu convivendo com instrumentistas legendários da boemia carioca, como Anacleto de Medeiros e Felisberto Marques. Mesmo assim, não deixou de se influenciar pelas vanguardas europeias, principalmente pelos compositores franceses Maurice Ravel e Claude Debussy e, após a década de 1920, pelo russo Igor Stravinsky.

3- A LENDA
Villa-Lobos regeu o primeiro concerto na cidade fluminense de Nova Friburgo, em 1915.

Os fatos
Levantamentos de Toninho Vaz atestam que Villa estreou como maestro no dia 26 de abril de 1908, quando dirigiu uma camerata de 17 músicos no Theatro Santa Celina, já demolido, em Paranaguá (PR). Durante a exibição, fez solos de violoncelo e mostrou uma de suas criações, Recouli. O compositor se fixou em Paranaguá depois de abandonar o Rio por causa das perseguições impostas pela polícia às rodas de choro. De início, refugiou-se em Niterói, na região de Gragoatá, mas acabou embarcando num navio rumo ao litoral paranaense. Lá trabalhou numa fábrica de banana glacê e apaixonou-se pela filha do coronel Elísio Pereira. O pai da moça lhe deu trabalho em sua empresa de navegação, exportação e importação, onde o músico exerceu por um ano e meio a função de caixeiro-viajante.

Cogita-se também que, ao longo da estadia em Paranaguá, Villa-Lobos tenha namorado a filha de um homem chamado Bendazesky, proprietário de uma fábrica de fósforos de duas cabeças — algo absolutamente insólito, ainda que verossímil. Especulações à parte, seu retorno ao Rio ocorreu assim que o pai de uma de suas namoradas o expulsou de Paranaguá, sob o argumento de que o regente não seria um bom partido.

4- A LENDA
Em fevereiro de 1922, nos três concertos que conduziu durante a Semana de Arte Moderna, o maestro se apresentou de casaca e chinelo, com o intuito de provocar a plateia.

Os fatos
Realmente, nas três vezes em que subiu ao palco do Teatro Municipal de São Paulo, Villa-Lobos usava um elegante black-tie, sapato social num dos pés e chinelo no outro. Complementava o visual com um guarda-chuva, que lhe servia de bengala.

Vaiada por boa parte do público, a atitude foi vista como iconoclasta . Se houve, a intenção agressiva do gesto certamente derivou de algo mais prosaico: Villa amargava feridas nos pés decorrentes do excesso de ácido úrico. Daí a necessidade do chinelo.

O compositor participou da Semana depois de receber um convite do poeta Ronald de Carvalho e do diplomata Graça Aranha, que o procuraram em sua casa, no Rio. Villa se interessou de imediato pela ideia, mas lamentou não ter como bancar a viagem nem como contratar instrumentistas. Acabou conseguindo um patrocínio, mediado por Paulo Prado, paulistano influente, que obteve doações de empresários e produtores de café.

O artista não escreveu nenhuma peça em especial para os três concertos. Enquanto os regia, enfrentou alguns contratempos engraçados, como a alça arrebentada do vestido de uma violinista, Paulina d’Ambrósio — o que levou um sujeito na plateia a gritar “Levanta a fitinha, moça!” e outro a indagar “Alguém tem um alfinete aí?”. Anos depois, em 1957, numa entrevista à revista Manchete, Villa-Lobos declarou que “a Semana de Arte Moderna fez um bem imenso ao romance e à poesia brasileiras, mas não aportou nada à música”.

5- A LENDA
O maestro desbravou a selva amazônica para coletar sons indígenas.

Os fatos
Os únicos registros de uma viagem de Villa ao Norte do país são os programas de concertos realizados em Manaus e Belém, quando tocava com a Companhia de Operetas Luis Moreira, desfeita em 1911. “Se na ocasião o músico incursionou pela selva, não deve ter sido por muito tempo, já que ainda em 1911 ele se encontrou com uma namorada em Fortaleza”, avalia Fabio Zanon, um dos maiores violonistas brasileiros da atualidade e estudioso da trajetória do compositor (o músico toca neste mês em São Paulo; veja na página 87).

Mesmo assim, o regente não se furtava a disseminar histórias sobre suas aventuras pela floresta, principalmente quando estava na Europa. Dizia que, numa expedição científica à Amazônia, índios antropófagos o capturaram, o amarraram, dançaram em torno dele e só o libertaram quando aceitou lhes mostrar algumas de suas composições. Em outra viagem à França, afirmou ter incorporado a uma peça os sons de um grupo indígena extinto. Ao ser questionado sobre como havia descoberto a melodia, dada a inexistência da tribo, respondeu: “Captei-a por intermédio de um papagaio que ainda se lembrava dela”.

Com relação aos sons amazônicos que reproduziu fielmente em várias obras, sabe-se que ele estudou no Rio os fonogramas que traziam canções indígenas recolhidas pela expedição do antopólogo e radialista Edgar Roquette-Pinto. Também consultou os arquivos de seu cunhado, Raul Bormann, que trabalhou durante dois anos como escrivão da expedição do marechal Cândido Rondon.

6- A LENDA
Villa-Lobos teve oito noivas.

Os fatos
Bem-apessoado, o maestro idolatrava as mulheres e cultivava a fama de dom-juan, mas não é muito confiável a informação de que noivou oito vezes. “Nos relatos do compositor, só a primeira das noivas chegou a ter quatro nomes diferentes”, conta Fabio Zanon. O que se pode garantir é que Villa se casou com Lucília Guimarães e, depois, com Arminda Neves d’Almeida, a Mindinha, 25 anos mais nova do que ele. Ao lado da segunda mulher, viveu por mais de duas décadas, até morrer, sem nunca gerar filhos — o músico era estéril.

7- A LENDA
O regente figurou entre os principais colaboradores do Estado Novo, a ditadura de Getúlio Vargas.

Os fatos

A colaboração se deu realmente, mas apenas no plano musical. Em fins da década de 1930, Villa-Lobos queria retornar à França, onde morou nos anos 20. Sem conseguir realizar o desejo, ofereceu um projeto pedagógico ao governo Vargas e, sob o apoio do ministro Gustavo Capanema, da Educação, instaurou o canto orfeônico como disciplina obrigatória nas escolas brasileiras. “Minha hipótese é de que o compositor se aliou ao Estado Novo devido a uma combinação de dois fatores: a impossibilidade de voltar a Paris e o potencial que ele vislumbrou de se tornar um maestro das multidões”, explica o professor Paulo Renato Guérios, autor do livro Heitor Villa-Lobos — O Caminho Sinuoso da Predestinação. “O governo lhe oferecia uma estrutura e um acesso a recursos financeiros que a iniciativa privada se revelava incapaz de fornecer.”

Acesse http://bravonline.abril.com.br/conteudo/musica/heitor-villa-lobos-folclore-sou-eu-510419.shtml para ouvir um podcast que preparei sobre o melhor da agenda em memória do cinquentenário de morte do Villa.

Leia também: http://bravonline.abril.com.br/conteudo/musica/villa-lobos-violoncelos-devem-soar-como-pandeiros-510421.shtml, escrito pelo maestro Roberto Minczuk.

Turnê da OSESP no Washington Post

Publicado em Artes por paulanadal em outubro 23, 2009

Sao Paulo and Glennie: Beaten gold

By Robert Battey Friday, October 23, 2009

As symphony orchestras go, the Sao Paulo State Symphony Orchestra is still in adolescence; it was formed in 1954 and has had only four music directors. Reflecting the multicultural nature of Brazil, its roster of musicians includes many European and Russian names. On Wednesday night at the Music Center at Strathmore, the orchestra gave its penultimate concert of a grueling 12-city tour, showing nary a hint of fatigue. South American orchestras I’ve heard have been quite variable, but the Sao Paulo ensemble must surely be among the continent’s finest. All sections were strong. The string players displayed a wide range of playing styles, and certainly lacked the unanimity of the Vienna Philharmonic or the Cleveland Orchestra. But there were no slackers anywhere; each musician gave full measure, and both fast and singing passages came through with impressive clarity. The woodwinds featured a wonderfully idiosyncratic oboist whose colorful playing anchored a fine assemblage; everything in tune. The brass were solid, too; no cracked notes all night, although some entrances weren’t quite together. Overall, this was more interesting, lively playing than we get from the Baltimore and National symphonies. The program included two works by the mid-20th-century Brazilian Camargo Guarnieri. American composer Aaron Copland praised Guarnieri highly, and the latter’s atmospheric, bluesy style clearly influenced his own Latin American works. The principal work on the first half was “Veni, Veni Emmanuel,” a concerto for percussion and orchestra by Scottish composer James MacMillan. It’s a massive work that was written for Evelyn Glennie and given its U.S. premiere by her and the National Symphony Orchestra in 1994. What does one say about this unique artist? The first full-time classical solo percussionist in history, she has a riveting concentration and charismatic playing style that would capture the public imagination even were it not for her deafness, which makes her accomplishments all the more remarkable. MacMillan’s concerto is a mishmash of violent atonality and devotional music (it is based on 15th-century plainsong and liturgical texts). Glennie, barefoot so as to pick up vibrations, marched primly across the stage, attacking a huge array of instruments with her signature intensity. A long, gentle interlude with the bass marimba was quite affecting, but the musical narrative seemed diffuse and arbitrary. The orchestra’s conductor for this tour was the rising young American maestro Kazem Abdullah. He comes across as likable and energetic, but not yet very deep. His beat was clear but not very detailed, and his cuing was generic — the same gesture for a few instruments or for the entire ensemble. The rhythmic complexities of Brahms’s Symphony No. 2, which ended the program, were often out of focus, and Abdullah did not guide the brass sufficiently, either in unanimity of attack or in balancing them against the rest of the orchestra. But he has talent and looks, and will likely continue to rise quickly.

A nova do Radiohead

Publicado em Artes por paulanadal em setembro 1, 2009

Harry Patch, em memória do centenário inglês que morreu aos 111 anos (111 ais) no último dia 25 de julho, após ter sido combatente nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial na Bélgica, em 1917. Patch também foi bombeiro durante a Segunda Guerra.

Algo na canção soa como Bach aos ouvidos. Abaixo o link:

*O mais interessante é saber que ainda existe um combatente da Primeira Guerra vivo. Chama-se Claude Choules e vive na Austrália.

Marcado como: , ,
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.