Sou Rio
Solução para um mundo aflito: abrir a empresa de assessoria de comunicação para a empreiteira que vai executar as obras no Rio até 2016.
Sem dúvidas que a realização de um evento como a Olimpíada em terra brasilis é um marco. Como bem se sabe, jamais os jogos aconteceram em países sul-americanos. Como bem se sabe, pode ser uma boa oportunidade de mostrar o Brasil ao mundo. E que os brasileiros saibam valorizar o que ainda nos resta de melhor, em detrimento dos problemas que temos – que não são poucos.
O questionamento aparece pelo Carnaval eterno. Se o Rio vencer fazemos o Carnaval nas areias de Copa. Se não, fazemos o Carnaval nas areias de Copa. Tal qual disse o Gabeira, em um texto publicado na Folha, na sexta-feira, antes do anúncio oficial, se perdermos, não há nada que alguma música e alguma bebida não resolvam.
Sem dúvidas há o que comemorar, mas é preciso cautela e algum olhar apurado. Quantos já começam a festejar os sete anos de superfaturamento que temos pela frente? E os elefantes brancos que podem sobrar depois dos jogos – assim como aconteceu com obras feitas para o Pan?
Há momentos em que é preciso cessar o Carnaval e pensar.
Mas as pessoas sentem medo do silêncio.
Limpeza do Rio
O novo prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), resolveu limpar a cidade mais visitada do país de todas as ilegalidades. Começou derrubando mais de 30 construções no bairro dos Bandeirantes, em uma ação que contou com mais de 2 mil pessoas. Prometeu construir um muro de três metros para impedir o crescimento vertical da favela Dona Marta, em Botafogo (os líderes da comunidade afirmam não terem sido consultados pelo ‘alcaide’), e tirou mais de 300 cadeiras ‘ilegais’ da praia de Ipanema.
Paes disse que esta ação será contínua nos seus quatro anos de mandato.
Melhorar a qualidade de vida da população é o mínimo. Mas a qualidade de vida de quem? Para onde vão os que tiveram seus barracos demolidos? Em São Paulo, as demolições na Luz promovidas pelo prefeito Gilberto Kassab fizeram com que a ‘cracolândia’ mudasse para a rua de trás. Quem vive na Rua não se habitua a albergues. Quem mora em barracos no centro não quer casas na periferia. Demolir aqui transfere o problema para acolá e não soluciona. As ONGs locais estimam que mais de 20 mil pessoas perambulem pelas ruas da ‘cidade maravilhosa’… Maravilhosa para quem?
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