Fiat Lux
Zummmm… Acabou a luz do estacionamento da ruela estreita. A lâmpada bem piscou tentando opor resistência, mas foi fraca para a pane. Os postes também estão apagados. O problema deve estar nesta rua. Viro a esquina e é só breu. O porteiro fica feliz com minha chegada para resgatar os exilados no elevador. Estranho acabar a energia em uma região que é o coração da cidade de São Paulo. Um vizinho chega com seu carro e o do 18º liga para a portaria a fim de avisar que a escuridão vai até onde a vista alcança. O horizonte ficou mais próximo. O que circula com velocidade é a informação. Dois vizinhos semiatletas chegam ao prédio famintos depois de xingar o dono da quadra de esportes, que apagou a luz. O burburinho é de que mais cidades estejam sem energia. “Foi o Chavez quem declarou guerra e mandou desligar Itaipu”, dizem os conspiradores.
A vida realmente mudou com os gadgets. Um celular na escuridão, além de lanterna, é um elo com o mundo. Especialmente um celular xingue-lingue com televisão. A Cristiane Pelajo já anunciava a pane em pelo menos 800 cidades do Brasil e no Paraguai – não podíamos sofrer sós. Envolver o vizinho no meio é “tão Brasil!”, como diria um amigo.
“Viu, foi o Chavez!”, os conspiradores reunidos no hall proclamavam! E a luz de emergência das escadas também resolveu dormir nos primeiros minutos de caos. Pelo menos o expediente da balada em frente foi encerrado para o sossego dos moradores de bem. E minha irmã – cuja cidade não foi afetada – enviava SMSs com as informações atualizadas. Em menos de 10 minutos a Cristiane já apresentava levantamentos do apagão apurados pela equipe de jornalismo em todo o país. E eu sem um twitter para compartilhar do momento histórico.
Eis que Lobão – o ministro – aparece na telinha made in China para dar a boa nova: “A Usina de Itaipu foi totalmente desligada”. Desistimos e vamos encarar a escada. Sete andares e os gritos da rua. Fiat Lux! Terminei os lances que faltavam com certo alívio, mas em poucos instantes, nova queda de energia. Já sabia.
Deito e durmo pensando na velocidade da informação que circula com o mistério do escuro. As imagens eram puro breu. Mas eram imagens.
Acordo e novamente, Fiat Lux! Agradeço pelo banho quente e pelo jornal que já prepara mil matérias sobre as consequências do apagão – pessoas que dormiram nas ruas, as inúmeras ligações para o 190, o caos no transporte, os números da pane (porque estatísticas sempre parecem didáticas).
E a causa do apocalipse ainda não foi desvendada. Itaipu culpa Furnas, Furnas culpa Itaipu. O clássico leva e traz. Mas “o cara” Lulalá vai intervir diretamente nas negociações, para que todos voltem à felicidade paralisante.
Ao menos, com luz.
Na esquina Café com Leite

Grupo se apresenta na inauguração do Espaço Minas
O lugar escolhido para montar o Espaço Minas – um escritório do governo mineiro em São Paulo – não poderia ser mais sugestivo: a útlima esquina da Avenida Paulista, que encontra, justamente, com a Rua Minas Gerais.
O casarão vinha sendo reformado há meses (passo todos os dias em frente e adoraria habitar a dita residência) e a festa de inauguração serviu para mostrar que os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) têm ensaiado o discurso minuciosamente. Um sorriso amarelo aqui, uma jogada de responsabilidade para lá. Ambos reiteram apoio mútuo, seja qual for o candidato escolhido para disputar as eleições presidenciais no ano que vem.
Por hora, uma dupla tucana está fora de cogitação – ao menos no discurso. É esperar e ver o que acontece quando uma das crianças perder o doce.
Por enquanto, bebamos gole a gole uma xícara de café com leite.
- Açúcar ou adoçante, senhor?
Sobe!
Andar de metrô em São Paulo é uma atividade que se torna mais cara a partir de segunda, dia 9. A tarifa sofreu um aumento de 6,3%. Isso significa que, um passageiro que usa o metrô duas vezes por dia, 30 dias por mês, passa a gastar R$153 ao invés dos antigos R$144 que gasta até este final de semana. Um aumento de R$9 que deve representar uma diferença significativa para a população de baixa renda.
Se ‘fujo’ para Ponta Grossa, Paraná, minha cidade natal com pouco mais de 300 mil habitantes, a tarifa de ônibus também encareceu. Um aumento de 10%. De R$2 para R$2,20. Um verdadeiro absurdo. Comparativamente, a passagem de ônibus na cidade de São Paulo custa R$2,30 - valor que deve ser manter ao longo de 2009 segungo promessas de campanha do prefeito eleito, Gilberto Kassab. A disparidade está no fato de que São Paulo possui um perímetro urbano de 900 km², em detrimento dos 91 km² de perímetro urbano ponta-grossense malmente atendidos pelo transporte público. Isso, para fazer uma comparação rasa.
Aí, tem-se os acordos ‘politiqueiros’, os interesses diversos e, no caso de São Paulo, a pressão por investimentos maciços em transporte público, na tentativa de amenizar o caos no trânsito. O pedágio urbano (entre regiões metropolitanas) deve ser aprovado em breve. Alguns bons carros devem parar de ciruclar. Mas para onde vai toda essa gente? Temos um sistema de transporte público ineficiente e que não chea a inúmeros pontos da capital e da região metropolitana.
Enquanto isso, escuto o barulho desagradável das obras do metrô embaixo da minha janela ( a promessa de entrega é em 2010), continuo com os ônibus-carregadores-de-brita (sem o menor respeito pelo estômago humano, com raras exceções) e, quando sobra algum, vou a Ponta Grossa e caminho. Me recuso a ceder a alguns A.B.surdos nesta vida. O maior deles, o conformismo.
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